sexta-feira, 25 de março de 2011

A vida é uma escola. E a escola é toda uma vida!

Definitivamente, caro leitor, a vida escolar/acadêmica é algo engraçado. Muito engraçado.
Mal aprendemos a expressar nossas vontades, já somos inseridos num mundo novo, com uma rotina completamente diferente da qual temos conhecido desde o nascimento: bem-vindo à escola!
A partir daí, já começamos a aprender que pai e mãe não são pra sempre (infelizmente!). Você é obrigado a separar-se daqueles que você mais ama, os únicos nos quais confia em todo o mundo. Diariamente.
Daí em diante, alguma moça estranha que, provavelmente, você nunca viu na vida passará a ser sua “tia”; e algumas crianças serão seus “coleguinhas” a partir de agora. Você cresce, aprende que seus pais sempre irão lhe buscar no fim do dia e, que, dentro de alguns anos, eles nem sequer levarão mais você à escola.
Depois de ter sido alfabetizado e passar mais 11 ou 12 anos indo à escola, e, nesse meio tempo, ter passado por várias experiências memoráveis e outras que você deseja esquecer, chega a hora de escolher uma profissão. Parte difícil essa. Nem todo jovem de 16 ou 17 anos tem certeza do que quer fazer na vida. Eu tenho 20 e ainda tenho minhas dúvidas. Mas, enfim, depois de alguns meses de pressão por conta do vestibular, você é aprovado (assim espera-se) e ingressa na universidade.

Esqueça tudo o que você aprendeu até então. Seu jeito de pensar, falar, se comportar, e até mesmo alguns dos valores que seus pais lhe ensinaram serão esquecidos. É impressionante como a universidade, muitas vezes, serve como algum tipo de tratamento psicológico. E as conseqüências, muitas vezes, irão acompanhar você até o túmulo.
Mas voltemos a falar do verdadeiro motivo pelo qual você prestou vestibular e ingressou na universidade: assistir às aulas, absorver o máximo de conhecimento que puder e tornar-se um profissional respeitado e reconhecido.
Estudo numa universidade pública federal (UFAL), cursando Administração.
Em primeiro lugar, não me arrependo de ter escolhido o curso. Identifiquei-me bastante com o mesmo. O mercado é amplo e as várias possibilidades de escolha de áreas para atuar me atraem (aqui, leia-se: tô perdido e não sei o que vou fazer da minha vida).
Mas, vamos às vias de fato: vida de estudante universitário não é fácil. E não melhora quando a faculdade fica a 16km do centro da cidade. É tão longe que a localidade, há alguns anos atrás, era chamada de Cidade Universitária (pena que eles não conseguiram a emancipação). Sendo longe a universidade, resta-nos, então, usar algum tipo de transporte para nos deslocarmos todos os dias até o santuário da sabedoria. No meu caso, o veículo utilizado é o GOLF. Não o carro charmoso, com design simples, mas atraente, da Volkswagen. GOLF, aqui, é uma abreviação para Grande Ônibus Lotado e Fedido. Todos os dias, você sai de casa (ou do trabalho), pega seu GOLF e vai pra universidade. O calor humano e a proximidade entre todos dentro do veículo seria aconchegante se não fosse desesperador. Na melhor das hipóteses, você conseguirá um assento. Se não, vai em pé mesmo, compartilhando com todos os outros passageiros, o “aroma singular que provém da luta dos guerreiros nossos de cada dia”. Traduzindo: inhaca de suor e chulé. De todos aqueles que estão voltando para suas casas depois de mais um dia estressante de trabalho. Eles não têm culpa, coitados. Se pudessem, estariam voltando pra casa num Golf. Da Volkswagen, no caso.
A situação piora quando começam a subir outros estudantes universitários bastante perfumados (bastante mesmo!). Aí, misturam-se os aromas dos aspirantes a príncipes com o dos plebeus. O resultado não é muito legal.
Então, depois de fazer algumas aulas de malabarismo (e contorcionismo) tentando se manter de pé e segurar todo o seu material, enquanto o motorista parece estar levando animais para o abate, você chega à universidade.
Você entra na sala, se acomoda e solta um “Ufa! Cheguei!”.
É, meus amigos, esse sofrimento todo apenas para CHEGAR na universidade para assistir às aulas. E ainda dizem que universitário é vagabundo.
O restante da saga depende bastante do professor que ministrará a aula do dia. Particularmente, tive (e tenho, ainda) muitos professores inteligentíssimos, antenados com o mercado e muito competentes. Em contrapartida, algumas múmias ainda perambulam pelos corredores da universidade, querendo que o ensino volte ao tempo da palmatória, porque “já não se fazem mais estudantes como antigamente”. T'aí a prova de que eles realmente nasceram há muito tempo atrás (INSS neles! Se aposenta, Ramsés XVI!). Não estou, de forma alguma descreditando a experiência deles. Aliás, eles merecem todo reconhecimento pelo simples fato de serem professores, seguindo uma das carreiras mais nobres, importantes e, infelizmente, desvalorizadas (ao menos no Brasil). Mas acredito que o profissional que você vai ser depende muito mais da sua personalidade, do seu conhecimento e das suas habilidades do que da atenção que você dedica às aulas de certas disciplinas.

Então você passa anos e anos indo à universidade todos os dias num GOLF, assistindo aulas monótonas e insuportáveis de alguns netos de Aristóteles e ainda tem gente que diz que você não faz nada da vida. Pode?
Como dizia meu avô, a grama do vizinho sempre parece mais verde. Mas a vida é mesmo difícil pra quem quer chegar em algum lugar e poder, um dia, desfrutar do merecido descanso.
Espero, sinceramente, que você, estudante universitário (e, você, profissional graduado, também) que passou ou passa por esse caminho espinhoso, tenha ao final, ao menos, a certeza de que escolheu o caminho certo. Se este não for o seu caso, não se desespere nem desanime. Encare seu “erro” como aprendizado e siga em frente. Outros caminhos esperam por você.

Até breve.

Um comentário:

  1. Pior é quando depois do GOLF, chegar na sala e ter bem grande escrito na lousa, "NAO HAVERA AULA HOJE". Da vontade de explodirrrr aquele lugar!


    Alexandre Araujo

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